Editorial
Galeto há 40 anos fora do tempo
As portas abrem às 6 e meia da manhã, antes disso já o Patrão lá está. Vai-se embora ao fim da tarde. À noite passa por lá o filho, para ver se está tudo a andar. A sala só fecha às três e meia da manhã. Está aberta aos sábados, domingos e feriados. Fecha mais cedo na noite de natal. De resto, os dias são todo iguais. O tempo quase não passou por aqui desde a abertura, no primeiro de Agosto de 1966.
Durante o dia e noite dentro a autoridade é exercida pelos directores. Sempre de pé e com um mover de olhos rápido, mas cauteloso. Um de manhã, três à noite, estão ali para garantir que o tempo não passa: que a comida chega a horas e que o serviço continua a ser igual ao do dia em que a portas abriram, 6 dias antes da inauguração da ponte 25 de Abril, então Salazar.