Project
Diptics 6x7, Meeting Rivers
“O Amazonas, bem como alguns dos seus tributários, drenam solos jovens, predominantemente vulcânicos, das encostas dos Andes. Transportando grandes quantidades de sedimentos de nutrientes minerais. Estes rios chamam-se rios de água branca. Mas os rios de água branca não são brancos, nem correm através de solos brancos. A sua cor é parecida com a do café com leite. São chamados também rios de água barrenta.
Os rios de água preta, dos quais o rio negro é um exemplo, correm através de solos planos e antigos, que já não contêm nutrientes em abundância, e que estão consolidados pela vegetação. As suas águas não contêm grandes quantidades de sedimentos em suspensão, sendo mais transparentes do que as dos rios de água branca. Apresentam no entanto, uma cor escura, quase de chá forte, que é dada pela grande quantidade de taninos e fenóis, compostos químicos segregados por muitas espécies vegetais como estratégia de defesa contra a herbivoria, e que são libertados quando a matéria orgânica vegetal morre e se decompõe. Os rios de água preta correm frequentemente em leitos de areia fina com pouco crescimento vegetal.
O rios de água branca e de água preta diferem ainda em outras características, apresentando os rios de água branca temperatura mais baixa e ph mais alcalino do que os rios de água preta. Um exemplo de contraste entre os rios de água branca e os rios de água preta ocorre na confluência do rio negro com o rio Amazonas, onde as duas massas de água correm separadas vários quilómetros antes de se misturarem.” (Henrique Queiroga, 2010)
Esta série partiu de um processo natural de composição. Interessou-me jogar com a linha do horizonte e a enorme variedade lumínica a diferentes horas do dia ao longo do percurso. O jogo de contrastes subvertendo a ordem dos dias. O ponto de vista é sempre do rio para a margem e vicie versa. O elemento água é uma constante.